O jogo terminou. A falta de humanidade continuou.
Algumas ocasiões escancaram o que existe dentro de nós. A Copa do Mundo foi uma delas. Tenho 45 anos e já vi o Brasil ser campeão duas vezes. É uma sensação muito boa. Aliás, apesar de não entender de futebol, a energia de uma Copa é contagiante. Sempre começo encarando tudo apenas como um jogo, mas, quando a bola começa a rolar, me pego torcendo a cada lance. Desta vez, parecia que eu ia infartar. Acho que envelheci. Talvez na próxima Copa eu precise de um calmante. Mas, por outro lado, a maturidade — que independe da idade — me permitiu observar algo que foi muito além do futebol. Como todos sabem, o Brasil perdeu para a Noruega. Perder é sempre triste, especialmente em uma Copa do Mundo. Em outras épocas, surgiam debates nos jornais, nas mesas-redondas e nas conversas entre amigos. Desta vez foi diferente. O apito final mal havia soado e já apareceram juízes, especialistas de ocasião e donos da verdade distribuindo seus veredictos. Isso sempre existiu. O que me assustou não fo...