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Respeitar o outro não pode custar o seu respeito

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Nem sempre a atitude correta que devemos tomar é a mais 'bonita' aos olhos dos outros. Ao observar uma situação em que havia dor causada por um desrespeito evidente, comecei a me questionar: até que ponto devemos conviver com quem atropela o respeito e a nossa liberdade de ser quem somos? Ou melhor, até que ponto sustentamos relações que ferem o respeito por nós mesmos? Seja na família, no trabalho ou na sociedade, muitas vezes permanecemos em convivências por obrigação, por vínculos antigos ou até por respeito ao outro. Mas tudo tem um limite, e há situações em que o retorno ao convívio se torna inviável. Eu gosto das histórias bíblicas justamente porque não as romantizo. Pelo contrário, gosto do que é direto, do que é “preto no branco”, do que muitos evitam encarar. Na história em que Moisés vai até o faraó para libertar o povo, vemos algo profundo: nas primeiras pragas, o faraó endurece o próprio coração ao dizer “não”, ou seja, exerce seu livre-arbítrio. Mas, nas últimas, o...

Com o passar dos anos, o que antes era compreensível, hoje pode se tornar ridículo.

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Para algumas pessoas, a idade não é cruel pelo tempo que passa, mas pela incapacidade de perceber que aquilo que ontem era aceitável, hoje já não é mais. Costuma-se associar idade à maturidade, mas isso é uma ilusão. É verdade que o tempo poderia facilitar a compreensão da vida, porém a maturidade não é consequência automática dos anos vividos. Ela exige compromisso com a própria evolução — desejo real de melhorar. A vida nos conduz a experiências que favorecem esse crescimento, mas é preciso querer, estar aberto às mudanças e assumir a própria responsabilidade nesse processo. A maturidade não comporta amargura. Sim, carregamos traumas, medos e marcas, mas eles não existem para nos aprisionar. Pelo contrário: estão ali para nos conscientizar e nos transformar. Quando amadurecemos, entendemos que não é necessário lamentar o que passou — seja no corpo, na mente ou nas relações. Também percebemos que aquilo que antes nos servia, hoje já não nos cabe mais.  Há quem se recuse a aceitar...

O Que a Dor Revela Quando o Coração Está Cansado

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  É interessante observar como as pessoas se transformam diante das dores e dos desafios da vida. As vitórias e as perdas que atravessamos nos marcam — podem nos fortalecer ou endurecer. Nas redes sociais, vemos isso o tempo todo: conquistas exibidas, despedidas públicas, dores compartilhadas. Cada um reage de um jeito. Em certos momentos, essa exposição soa estranha, até mórbida, mas revela algo importante: todos tentam dar sentido ao que vivem, seja pela dor, seja pela plateia. O problema é: o que se mostra quase nunca revela o que realmente importa ou revela. Não vemos o estado do coração nem da alma por trás das imagens. A aparência não conta a história inteira. Mesmo diante de situações semelhantes, ninguém reage da mesma forma. Carregamos bagagens, histórias, relações e circunstâncias que não controlamos. O que nos cabe não é escolher os desafios que chegam, mas decidir como atravessá-los — e, principalmente, como sairemos deles. Ficamos amargurados e endurecidos ou mais fl...

O que o medo faz com a nossa história?

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O medo pode nos levar a lugares inimagináveis. Eu adoro histórias bíblicas. Acredito que nelas habitam todos os arquétipos humanos — personagens bons e maus que também vivem dentro de nós. Somos feitos de dualidades e, por meio do livre-arbítrio, escolhemos qual ‘personagem’ vamos alimentar. Penso, então, na história de Moisés. Ele nasce numa época em que um novo faraó assume o poder — esse não conhecia a história de José. Ao perceber o crescimento e a multiplicação do povo hebreu, esse homem, o mais poderoso de sua época, foi tomado pelo medo. Medo do número. Medo da força. Medo daquilo que não conseguia controlar. Isso soa tão atual, mesmo em um cenário completamente diferente. É por isso que digo: os modelos continuam vivos em nós. No mundo particular de cada um, o medo deveria existir apenas como alerta ou proteção - na dosagem certa. Mas, quando alimentado, ele nos aprisiona. Quantas vezes, por medo, começamos a nos podar? Aceitamos relacionamentos abusivos, superprotegemos os fil...

Que seu 2026 seja tão bom quanto o arroz doce da minha mãe.

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Quando um cheiro ou um gosto marca a infância, ele não fica apenas na memória — ele se instala na alma. Férias em família. Casa de praia dos meus pais. A delícia de entrar molhada em casa e vestir qualquer roupa — aquela esquecida no armário da praia, usada só em fins de semana, feriados ou férias. Sol rachando o coco. E eu peço para minha mãe fazer arroz doce. Era a minha vó Alda quem fazia a receita, deliciosa, que minha mãe sempre elogia dizendo que era a melhor de todas. Estou viciada em uma série turca da Netflix — uma novelinha, confesso, mas daquelas que prende. Enquanto assisto, começo a sentir o cheiro do arroz doce tomando a casa. Vou até a cozinha: minha mãe, pingando de suor, mexe um panelão enorme. Volto para a série. A sogra maltrata a nora, que não corresponde às expectativas dela. Curioso como, mesmo na maldade, com o tempo e as mudanças da vida, começo a enxergar alguma boa intenção — ou pelo menos humanidade — naquela sogra terrível. A vida vai fazendo isso com a gent...

QUANDO A COMUNICAÇÃO FALHA, O COLETIVO PAGA

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No finalzinho de 2025 — um ano tenso, exaustivo e, entre outras coisas, marcado pela cegueira, ou burrice, partidária — ainda levamos uma surra de chinelo. Eu realmente não sei o que acontece que, todo ano, chegamos ao fim completamente esgotados. A conversa entre amigos, conhecidos ou até no elevador é sempre a mesma: “Esse ano não acaba, né?” Não sei se Freud explicaria, se tentaria ou se também estaria exausto demais para pensar em algo coerente. O fato é que fica a pergunta: por que, agora, precisamos brigar até por um chinelo que todo mundo usa? Esse episódio escancara exatamente como estamos. Independente de direita, esquerda ou centro — e, se você não consegue separar isso, talvez seja melhor parar de ler agora e decidir se vai comprar ou jogar sua Havaianas fora. Mas, se como eu, você gosta de pensar sobre os caminhos que nos levaram a esse comercial fatídico, seguimos juntos. Vivemos em um mundo polarizado, extremista e impaciente, onde todos se acham donos da razão. Juízes de...

O mundo emburreceu.

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Trabalhar com comunicação nos coloca em contato com tendências — e isso nos permite perceber para onde os olhos do mundo estão se voltando. É verdade: o mundo é abundante, diverso, múltiplo. Tem de tudo. Mas algo tem me chamado atenção. Antes, certos comportamentos eram comuns apenas entre os mais jovens, onde a falta de maturidade é esperada — e, de certa forma, perdoada. Só que não é isso que vejo hoje em públicos mais velhos, supostamente ‘maduros’. E por que digo isso? Porque quando não há maturidade, somos levados por qualquer vento: a inteligência falha, e as escolhas, além de medíocres, tornam-se irresponsáveis. Hoje, por exemplo, vemos congressos médicos em que o ‘sucesso’ é medido pelo show midiático — luzes, som, entradas triunfais — e não pela capacidade técnica. As pessoas estão tão burras (sim, o termo é duro, mas real) que se deixam impressionar pela estrutura e esquecem o essencial. A bizarrice, que antes ficava restrita às redes sociais e ao mundo dos influencers, agora...