O mundo emburreceu.

Trabalhar com comunicação nos coloca em contato com tendências — e isso nos permite perceber para onde os olhos do mundo estão se voltando.

É verdade: o mundo é abundante, diverso, múltiplo. Tem de tudo. Mas algo tem me chamado atenção. Antes, certos comportamentos eram comuns apenas entre os mais jovens, onde a falta de maturidade é esperada — e, de certa forma, perdoada. Só que não é isso que vejo hoje em públicos mais velhos, supostamente ‘maduros’.

E por que digo isso? Porque quando não há maturidade, somos levados por qualquer vento: a inteligência falha, e as escolhas, além de medíocres, tornam-se irresponsáveis.

Hoje, por exemplo, vemos congressos médicos em que o ‘sucesso’ é medido pelo show midiático — luzes, som, entradas triunfais — e não pela capacidade técnica. As pessoas estão tão burras (sim, o termo é duro, mas real) que se deixam impressionar pela estrutura e esquecem o essencial.

A bizarrice, que antes ficava restrita às redes sociais e ao mundo dos influencers, agora invadiu áreas inimagináveis. Médicos posando seminus “para mostrar saúde”. Megaeventos de coaches misturando técnicas de venda com discursos religiosos. Uma mistura caótica que tira o foco do que realmente importa. Por uma venda online, vale tudo — sem ética, sem limites, sem vergonha.

Com essa burrice coletiva, alimentada pela onda do “todo mundo faz”, as pessoas perderam a capacidade de pensar e questionar. Compram o que nunca vão usar. Aplaudem o que nunca deveria ser aplaudido. Não se perguntam se a postura do palestrante, do médico, do coach, do nutricionista, do advogado — ou de qualquer ser humano — é minimamente ética e respeitosa.

Sim, precisamos questionar. Sim, existe o inaceitável. E não: luz, fumaça e música emocionante não transformam ninguém em um profissional competente.

Enquanto não colocarmos as coisas nos seus devidos lugares, seguiremos procurando no mundo o que falta dentro de nós. É como colocar gasolina num carro em que o problema está nos pneus furados.

O mundo segue emburrecendo ao som de “hoje em dia é assim”, “todo mundo faz”. E assim vamos jogando o cérebro no lixo e seguindo a boiada.

Que tenhamos a coragem de pensar e não percamos a capacidade de questionar. Que voltemos a buscar, no outro, o que ele realmente é capaz de entregar — e não o espetáculo que ele monta para nos distrair. E que a inteligência humana, aquela que nos diferencia dos animais, não siga sendo trocada por luzes coloridas e frases de efeito.


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