Que seu 2026 seja tão bom quanto o arroz doce da minha mãe.

Quando um cheiro ou um gosto marca a infância, ele não fica apenas na memória — ele se instala na alma.

Férias em família. Casa de praia dos meus pais. A delícia de entrar molhada em casa e vestir qualquer roupa — aquela esquecida no armário da praia, usada só em fins de semana, feriados ou férias. Sol rachando o coco. E eu peço para minha mãe fazer arroz doce. Era a minha vó Alda quem fazia a receita, deliciosa, que minha mãe sempre elogia dizendo que era a melhor de todas.

Estou viciada em uma série turca da Netflix — uma novelinha, confesso, mas daquelas que prende. Enquanto assisto, começo a sentir o cheiro do arroz doce tomando a casa. Vou até a cozinha: minha mãe, pingando de suor, mexe um panelão enorme. Volto para a série. A sogra maltrata a nora, que não corresponde às expectativas dela. Curioso como, mesmo na maldade, com o tempo e as mudanças da vida, começo a enxergar alguma boa intenção — ou pelo menos humanidade — naquela sogra terrível. A vida vai fazendo isso com a gente: muda o olhar.

Minha mãe avisa que o arroz doce está pronto. Digo que quero comer quente mesmo. Ela me olha, incrédula, e avisa que vou passar mal. Eu topo o desafio. Pego meu pote e me sento em frente à TV. Na primeira colherada, sou transportada para um lugar de conforto absoluto. Um lugar que diz: “você está em casa”. Claro que começo a suar — comer arroz doce quente na praia é quase como tomar canja no verão. Mas não há desconforto. Pelo contrário. Existe liberdade. Liberdade de estar ali, vendo o que quero, comendo o que quero, feito pelas mãos da minha mãe. E ali vem a realização: a vida boa não depende de dinheiro, roupa da moda, planos mirabolantes ou viagens extraordinárias. Ela depende de um lugar que acessamos dentro de nós — onde tudo já está preparado. Só precisamos ir buscar. Isso não exclui sonhos, conquistas e esforço. Tudo isso é importante e necessário. Mas não precisamos chegar a lugar nenhum para nos sentirmos realizados. Nem para sermos gratos pelo que já temos.

O colo da avó. O dengo da mãe. O copo d’água oferecido. Gestos simples — mas eternos. Tudo isso fica marcado dentro de nós e pode ser acessado a qualquer momento.

O arroz doce da minha mãe, que era da minha avó, me levou a um lugar onde sou amada e livre. A vida simples, a roupa de praia, o jogo de tranca, o ventilador ligado… tudo isso me lembrou que a gratidão independe das conquistas. Ela nasce de um olhar que reconhece que já temos tudo — o que conquistamos e o que ainda iremos conquistar. O Eterno já determinou tudo. Ele tem o controle absoluto. No tempo certo, aquilo que é nosso chegará até nós. E quando somos gratos, os véus que cobrem nossos olhos são retirados. Passamos a enxergar o que realmente é necessário.

Então, que em 2026 sua energia esteja no que — e com quem — realmente importa. Que haja simplicidade no essencial. Beleza na rotina e cuidado consigo.
Disciplina no que trará frutos com as bênçãos de D’us.
Prosperidade onde a paz possa reinar. E que, em cada decisão, você sinta o mesmo conforto que senti ao comer o arroz doce da minha mãe. Que você, assim como eu, perceba o carinho do Criador em cada gesto da vida.

Feliz Ano Novo — a cada dia, a cada momento.


Comentários

  1. E lembrando da carne louca, uma delícia 😋 . Bjks na Da. Lilly

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