A minha história não anula a sua.
Toda versão é verdadeira dentro de quem a viveu — e por isso merece respeito. Assisti à série Meu Ayrton , da Adriane Galisteu, na HBO, e confesso: fiquei profundamente mexida. Primeiro, pela elegância dela ao contar algo tão íntimo, uma história que ganhou milhões de versões — muitas delas baseadas em fofocas, maldades e distorções que só servem para destruir. No mundo de hoje — e de sempre — mas principalmente nesse de agora, tão rápido em julgar, as pessoas das redes se dão o direito de sacramentar verdades às quais nem tiveram acesso, filtradas por seus próprios vieses. Na série de apenas dois capítulos, Adriane não fala mal de ninguém. Pelo contrário: legitima a dor de uma mãe que perdeu o filho — uma mãe que não a aceitava. Reconhece a importância da Xuxa na vida de Ayrton e toca em vespeiros que o público insiste em transformar em guerra, como se fosse obrigatório escolher ‘vilão e mocinho’. Adriane d...

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