Ser campeão é muito mais que carregar um cinturão.



A última luta do brasileiro Glover Teixeira, no UFC, no dia 21 de janeiro de 2023, foi uma aula sobre ser um campeão. 


Sempre esperamos que o final de uma história bem sucedida, no caso de um lutador de MMA, seja conquistar o cinturão, mas isso não torna ninguém um campeão, na realidade, só o faz ter um ‘prêmio’. A maioria dos que sobem naquele octógono carregam histórias de vida em que a superação é seu modus operandi. E foi o que vimos no último domingo onde Glover terminou sua carreira de lutador de MMA. Aliás, tive a honra de conhecê-lo, junto a sua esposa, através do meu pai, onde estavam também Alex Poatan, Caio Magalhães e esposa.


 Nas redes sociais, Glover mostra seu estilo de vida, em que o ‘corpo mole’ não tem vez, como ao entrar todos os dias em sua banheira de gelo, muitas vezes, a céu aberto com neve, sua mensagem no: “Fala galera…”, mostra que estamos aqui para evoluir a cada dia. Lembro que, ao comentar sobre isso, disse a ele que não suportava o frio e ele disse que também não, mas que havia decidido, já que não tinha como fugir disso, começar a gostar do inverno. Em sua simplicidade, me ensinou que aquilo que não conseguimos mudar, devemos encontrar prazer. O nosso maior adversário habita em nós. No dia da luta, ao chegar no ginásio, as imagens mostraram ele de mãos dadas com sua esposa Ingrid, nesse meio da ‘fama’, poucos valorizam aqueles que caminharam junto em caminhos onde a plenitude ainda nem era um vislumbre. Mas aquele era o Glover, o homem que nasceu em Sobrália, MG, e que tem uma história, que poucos aguentariam carregar. Começou a luta, e que luta, ‘porrada’ por todo lado. Glover, 43 anos, contra Jamahal Hill, 31. A força física do nosso brasileiro era enorme, mas a resiliência era gigante. Entre um round e outro, o respeito ao oponente, aliás, em todas as entrevistas, na pesagem, em que Glover o abraçou deu um show de ‘fair play’. Desistir não era uma opção, aliás, lembrei do lema da minha família: “Desistir jamais!” Sangue escorriam dos dois lutadores, público vibrava quando Teixeira tentava algum golpe inimaginável e coração na garganta de quem estava assistindo em casa. Final do quinto round e Glover, fazendo jus a sua história, resistiu e terminou em pé. Juízes deram a vitória a Hill, que lutou muito bem também, mas o show iria muito além do resultado.


Após o pronunciamento de Jamahal, Glover pediu ao seu oponente que ficasse para ouvi-lo, pediu também a torcida, que estava mexida com o resultado e havia jogado pipoca e cerveja no vencedor, que deveríamos respeitar o resultado, ser exemplo e que Hill era o novo campeão. Ah, Glover, mas o que você não sabia é que o menino de 31 anos junto com todos que estavam assistindo, testemunharam a coroação de um campeão de verdade: você. E, que vai muito além de qualquer cinturão. Ao demonstrar respeito pela jornada daquele jovem, você mostrou os frutos da sua história. Quando tirou as luvas e anunciou que se aposentaria, que tinha orgulho de ‘parar’ no mesmo dia que Shogun, por não conseguir mais lutar e que iria cuidar dos ‘caras novos’, como Poatan, provou que devemos entender as fases da vida. Ah, Glover, sábio aquele que entende que a ‘hora de parar’ é, na verdade, abrir espaço para os novos projetos que D’us têm para nós. E, feliz daqueles que cruzarão o seu caminho. Tenho certeza que você acha que ensinará lutas, técnicas e tudo aquilo que permeia a preparação de um bom lutador, mas o que você fará de mais lindo e incrível é lapidar pedras de diamantes que D’us confiará em suas mãos. Glover, obrigada por mostrar aos brasileiros, e ao mundo, o que é ser um campeão na vida, mas, principalmente, na alma. 


Comentários

  1. Parabéns Campeão!Aplaudimos de Pé nosso Guerreiro lendário Glover Teixeira.

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  2. Aguardamos seus discípulos no octógono Poatan e Caio Magalhães! OSS!

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  3. Incrível, você traduziu tudo, impressionante. O cinturão é para eles algo além do material e financeiro, é algo simbólico condensado em algo material

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  4. Eu estava em um projeto pensando em desistir mas essa frase me tocou de um jeito que eu entendi ela por outro ângulo. "Jamais Desistir!" agora eu vi pela perspectiva que eu precisava: essa frase é a arma, o combustível de motivação do Córtex Pré-Frontal quando a amígdala e o sistema do cérebro reptiliano ativa mecanismos de luta e fuga, para fazer você desistir ( mas tendo em vista que isso não é algo ruim, a humanidade chegou aonde chegou por o nosso cérebro nos resguardar com mecanismos de sobrevivência, talvez não estivéssemos neste patamar se não existisse a "ansiedade" pois se amanhã vou sair para caçar então devo sentir o sentimento desconfortável de insegurança da ansiedade para eu afiar o mais perfeito possível a minha lança e etc...

    Essa frase agora vou levar para a minha vida, valeu Nurya, família Ribeiro é incrível

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